Construção sustentável: por que construir pensando em um mundo melhor?

As práticas de construção sustentável são boas não apenas para a conservação do planeta, mas também para os negócios. Situação do setor da construção civil em 2020O que significa construção sustentável?Por que a construção sustentável é importanteAvaliação do impacto das…

25/11/2021 leandro.paradiso

As práticas de construção sustentável são boas não apenas para a conservação do planeta, mas também para os negócios.

Situação do setor da construção civil em 2020

A indústria da construção se encontra entre a cruz e a espada. A população mundial crescente e cada vez mais urbana gera uma enorme demanda no setor da construção. Desde 2007, mais da metade da população mundial vive em cidades, e calcula-se que esse número aumentará para 60% até 2030.

Para atender a essa demanda humana acentuada, estima-se que a produção global da construção aumente para extraordinários 230 bilhões de metros quadrados até 2060. Para efeito de comparação, é como construir uma cidade de São Paulo por mês nas próximas quatro décadas.

Ao mesmo tempo, as preocupações com as alterações climáticas e a diminuição dos recursos naturais pressionam cada vez mais as construtoras para que suas obras sejam sustentáveis e causem menos impacto ambiental.

Segundo estimativas, o setor da construção civil é responsável por 20 a 50% da extração de recursos naturais do mundo e quase a metade dos resíduos sólidos gerados. O mundo construído também é um dos fatores que mais contribuem para as emissões globais: de acordo com o World Green Building Council, a construção e operação de edifícios é responsável por 36% do consumo mundial de energia e 39% das emissões de CO2 relacionadas com a energia.

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Isso coloca o setor da construção civil em uma posição delicada: ele terá que atender às necessidades de construção, que crescem em disparada, enquanto os recursos mundiais continuam se esgotando e aumenta a demanda de edifícios verdes de alto desempenho (até com energia zero).

Entretanto, há boas notícias. Como as áreas construídas desempenham um papel primordial na integridade do meio ambiente, as iniciativas de construção verde podem impulsionar de maneira considerável os esforços para melhorar a sustentabilidade global.

Para construtoras visionárias, esses desafios se tornam oportunidades. É hora de ver as práticas de construção sustentável como melhorias de valor em vez de fardos que custam tempo e dinheiro. Afinal, quando implementadas de modo inteligente, essas práticas vão beneficiar o meio ambiente e os resultados financeiros.

O que significa construção sustentável?

Segundo a Gerência de Sustentabilidade de Pequenos Negócios do Sebrae-MT, uma construção sustentável tem como base “um projeto que prevê a eficiência desde a obra até o uso e operação da edificação, buscando a melhor relação custo benefício, resultante de fatores como a redução na geração de resíduos sólidos, economia com os custos de manutenção do empreendimento, maior resistência a deterioração, ambientes com mais conforto e salubridade aos usuários e a valorização de mercado para esse imóvel”. O conceito de sustentabilidade, em sua essência, leva em consideração a resiliência do ambiente natural e as práticas que o impactam.

As questões de sustentabilidade, no entanto, se estendem à saúde da comunidade, igualdade social e distribuição da riqueza – e o setor da construção têm condições de causar impactos significativos em todas essas áreas. À medida que o mundo continua a ser urbanizado, esses objetivos ficam cada vez mais interligados.

Por que a construção sustentável é importante

Para entender por que a construção sustentável é relevante, comece a pensar grande – bem grande. “Se observarmos as alterações climáticas, acho que o setor da construção civil e os edifícios construídos representam 60% do problema”, afirma Charles Kibert, diretor do Powell Center for Construction and Environment (Centro Powell de Construção e Meio Ambiente), da Universidade da Flórida. Kibert é cofundador da Cross Creek Initiative, que busca implementar princípios de sustentabilidade na construção, membro do conselho da Green Building Initiative e autor de Edificações Sustentáveis: Projeto, Construção e Operação, atualmente na quarta edição.

Kibert diz que uma parte expressiva dos gases responsáveis pelas alterações climáticas está associada às áreas construídas: a extração de recursos, a fabricação de materiais, a operação de edifícios e os sistemas de transporte que atendem à forma como os edifícios são estruturados e planejados.

Avaliação do impacto das práticas de negócios sustentáveis

A implementação de práticas de negócios sustentáveis começa levando em consideração o verdadeiro escopo de responsabilidade da construtora. “Historicamente, quando pensamos em metas baseadas na ciência para tornar qualquer negócio mais sustentável, estamos pensando: ‘Qual é nossa pegada? Qual é nosso impacto, positivo ou negativo? E como podemos gerenciar isso com base na nossa participação no mercado, na nossa parcela de contribuição para as emissões de carbono?’”, afirma Michael Floyd, gerente de estratégia de sustentabilidade da Autodesk AEC. “Mas uma pergunta diferente seria: ‘Qual é o maior impacto positivo que podemos causar com base naquilo que controlamos?’”

Ao medir sua pegada de carbono, por exemplo, as construtoras foram condicionadas a dar atenção às suas próprias operações. Muitas vezes, porém, as empreiteiras podem causar maior impacto nas emissões de carbono por meio de escolhas nas aquisições, de acordo com Floyd. “O setor realmente despertou para isso nos últimos anos”, diz ele. “Por exemplo: as empreiteiras costumam medir quanto diesel é queimado no canteiro de obras – e isso é importante. No entanto, dada a urgência das alterações climáticas, o que acontece se elas perceberem que podem diminuir muito mais o carbono incorporado de um projeto simplesmente escolhendo materiais melhores? É uma mudança de paradigma, principalmente quando essas opções de baixo carbono custam quase o mesmo que as alternativas.”

Métodos de construção sustentável

Os métodos de construção sustentável abrangem muitos Ps: produtos, práticas, processos e políticas. Começam na fase de projeto e vão até a manutenção. A seguir, são apresentados seis desses métodos e como eles são integrados à fase de construção.

1. Construção enxuta

construção enxuta é uma abordagem colaborativa para a entrega de projetos em que todas as partes interessadas trabalham juntas para otimizar o projeto, minimizando o desperdício sempre que possível.

De certa forma, a construção enxuta e a construção sustentável são dois lados da mesma moeda: tanto as construções sustentáveis quanto as enxutas buscam fazer uso eficiente dos recursos por meio da redução do desperdício. Enquanto os objetivos da construção enxuta são a redução em curto prazo do desperdício em todas as suas formas (não apenas materiais) e as preocupações ambientais da construção sustentável são de longo prazo, ambas as disciplinas visam ao uso eficiente de recursos valiosos. Uma abordagem de sistemas integrados pode ajudar a concretizar reduções de custos ocultos ao mesmo tempo em que produz resultados mais sustentáveis.

Como a construção enxuta traz como resultado final a diminuição dos defeitos, ela tende a reduzir o desperdício de material. Os ativos resultantes são montados utilizando menos recursos e sua construção causa menor impacto ambiental. Quando a empresa de engenharia e construção BAM Ireland ficou encarregada da construção de sete novos tribunais na Irlanda, para finalizar o projeto no prazo, a equipe utilizou os princípios da construção enxuta: em vez de uma pessoa tentando “empurrar” cronogramas de construção para as partes interessadas, a BAM Ireland implementou um processo de planejamento “puxado” com a empreiteira, a equipe de projeto e as subempreiteiras. Cada área participou de uma sessão de planejamento em conjunto, trabalhando de trás para a frente, a partir da data de entrega, e conciliando atividades para evitar ou resolver problemas.

Essa eficiência na comunicação também resultou em eficiência na construção: a BAM Ireland diz que seu processo de planejamento “puxado” (em conjunto com o planejamento de produção e a gestão da cadeia de suprimentos) tornou possível impulsionar a entrega just-in-time de materiais e conjuntos, diminuindo o desperdício porque os suprimentos não sofriam danos enquanto ficavam armazenados no canteiro de obras.

“Do ponto de vista das entregas, desejávamos coordenar melhor as informações que estavam sendo distribuídas pelos nossos projetistas e nossa cadeia de suprimentos para evitar atritos e outros problemas no canteiro de obras”, afirma Michael O’Brien, gerente de construção digital da BAM Ireland. “Uma das consequências estava relacionada com a sustentabilidade.”

2. Construção pré-fabricada, modular e industrializada

Confie em Amy Marks, a “rainha da pré-fabricação” e diretora de estratégia de construção industrial e difusão de ideias da Autodesk: abordar o projeto e a construção com uma mentalidade de fabricação é fundamental para aliviar a pressão sobre o ecossistema. “Sem um compromisso com a construção industrializada, inclusive a pré-fabricação e os princípios facilitadores do projeto voltado para fabricação e montagem, não acho que conseguiremos atender às futuras necessidades de infraestrutura do mundo”, diz Marks.

Os benefícios ambientais da construção industrializada são consideráveis. Os processos de pré-fabricação:

  • utilizam menos recursos naturais;
  • diminuem a poluição; e
  • otimizam o uso de materiais.

Os canteiros de obras oferecem condições de trabalho mais seguras e consomem menos energia operacional, e a construção fora do local minimiza o impacto nas comunidades.

Com sede em Windsor, CA, nos EUA, a BamCore está trabalhando para industrializar o modo como os edifícios residenciais e comerciais baixos são construídos. A empresa usa bambu extraído de forma sustentável como principal elemento do seu sistema de madeira estrutural de paredes ocas e engenharia personalizada, além de ferramentas digitais de construção orientadas por dados para erguer os painéis de parede com rapidez e eficiência no canteiro de obras.

Para cada projeto, a BamCore projeta e desenvolve um conjunto de painéis híbridos de bambu-madeira fabricados de maneira personalizada em sua fábrica. Cada painel é cortado para que se encaixe nos painéis adjacentes e é pré-cortado para permitir a instalação de cada porta, janela, tomada e interruptor de luz. Os painéis são marcados com números sequenciais que possibilitam uma ordem de instalação precisa. Durante a fabricação, é possível acrescentar linhas codificadas por cores para indicar onde será a instalação de toda a rede elétrica e o encanamento. Em seguida, a BamCore entrega o conjunto completo de painéis no canteiro de obras.

No canteiro, os membros da equipe têm acesso a um modelo 3D animado do projeto em seus dispositivos móveis. A BamCore trabalhou com um desenvolvedor para criar um aplicativo que transforma modelos digitais de construção em animações. Os membros da equipe podem acompanhar com facilidade a sequência de construção animada e visualizar toda a ordem de construção – do primeiro ao último painel. A pré-fabricação e o uso de ferramentas digitais de construção resultaram em menores tempos de construção, menos erros, menos desperdício e menores custos para a BamCore, provando que a construção industrializada pode ter um impacto impressionante na sustentabilidade.

Aplicação de processos DFMA à construção

DFMA (Design For Manufacture and Assembly, projeto para fabricação e montagem) é uma metodologia de projetos que possibilita e otimiza a pré-fabricação por meio de um conjunto de opções e princípios de projeto. A adoção de processos DFMA facilita a pré-fabricação. Também permite a mudança de uma mentalidade de “projeto” para “produto”. Essa “produtização” favorece a diminuição do desperdício tanto no projeto quanto na construção. Os projetistas podem passar mais tempo se dedicando aos elementos complexos dos projetos, ao passo que menos resíduos de construção são gerados no canteiro de obras, a logística do canteiro é aprimorada e menos materiais precisam ser transportados até o local. Considerando a estimativa de que 25% dos materiais de construção vão parar nos aterros sanitários, a capacidade de diminuir o desperdício por meio do DFMA permitindo a pré-fabricação tem grande potencial ecológico.

3. Materiais de construção sustentáveis

Os materiais de construção sustentáveis podem causar admiração, como a beleza aconchegante e tátil da madeira laminada – um material quase perfeito para a construção industrializada –, as curvas esculturais das estruturas de bambu, o impressionante uso de árvores inteiras como colunas estruturais e as belas formas de concreto sustentável mais fortes e leves graças ao projeto generativo.

Nos bastidores, as construtoras estão analisando mais as etapas iniciais na busca de soluções sustentáveis – começando pelas aquisições. “As equipes de projetos de construção sustentável estão pressionando os fornecedores de materiais e produtos para que provem que seus itens são de baixo impacto”, afirma Kibert. “Há muitas normas em elaboração sobre esse assunto que estão ligadas ao movimento de construção sustentável. Quem faz parte de uma equipe de projeto geralmente precisa demonstrar que seus produtos são recicláveis, têm conteúdo reciclado e causam baixo impacto. Mais recentemente, a investigação de produtos foi além das questões ambientais, passando a incluir problemas sociais influenciados pelas empresas.”

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Segundo Kibert, dois conjuntos de normas para materiais estão ganhando força: as DAPs (Declarações Ambientais de Produtos) e um segundo conjunto mais recente chamado de MASs (Multi-Attribute Standards, normas multiatributos). As DAPs são avaliações do ciclo de vida de produtos. “Nessa abordagem de DAPs, há cinco ou seis critérios, como alterações climáticas, que são fornecidos no intuito de proporcionar transparência”, afirma Kibert. “Um bom exemplo de critério contemplado por uma DAP é a pegada de carbono do produto. No caso de carpetes modulares, por exemplo, essa informação é apresentada como quilos de carbono por metro quadrado de carpete para cada marca que está sendo comparada.”

As MASs, por outro lado, são direcionadas a classes de produtos muito específicas e são aprovadas por grupos de normas como a UL e a FM. “Trata-se de elaborar uma norma que declare que o produto atende aos requisitos especificados em todo o espectro da sustentabilidade, que abrange critérios ambientais, econômicos e sociais, e em diferentes níveis dentro desses critérios”, afirma Kibert.

“Muito recentemente, houve um enorme aumento no número de empresas que fazem DAPs para seus produtos”, continua ele. “O motivo é que as equipes de projeto estão solicitando-as, pois sistemas de classificação de construção sustentável como a Green Globes e a LEED exigem DAPs para o fornecimento de créditos para a certificação. Houve um grande progresso nessa área, mas ainda falta um sistema de decisão robusto que apresente um roteiro sobre como comparar DAPs de produtos específicos.”

4. Ferramentas para redução de carbono

Agora é um momento crítico para abordar as formas como os materiais de construção contribuem para as emissões de carbono. Graças aos esforços colaborativos do setor, ferramentas abertas e gratuitas para redução e cálculo das emissões de carbono estão começando a tornar esse processo mais transparente.

Mas é necessária uma autoinvestigação por parte dos fabricantes de materiais de construção, diz Floyd: “Basicamente, eles precisam encomendar uma avaliação dos seus produtos. Então, esses dados têm que ser publicados de maneira que possam ser utilizados e pesquisados com facilidade. O objetivo é que as equipes de aquisições digam: ‘Preciso de um concreto que tenha tal valor de resistência à compressão, tal valor de abatimento do tronco de cone e tal tempo de cura. Também preciso disso em um raio de 150 quilômetros do canteiro de obras.’ Elas também devem ser capazes de localizar rapidamente todos os produtos que atendam às necessidades e classificá-los com facilidade pela quantidade de carbono incorporado.”

Calculadora de carbono incorporado (EC3)

Building Transparency – com o apoio de um consórcio de parceiros, como a construtora internacional Skanska, a Autodesk e outros – lançou recentemente a ferramenta EC3 (Embodied Carbon in Construction Calculator, calculadora de carbono incorporado na construção), uma plataforma gratuita de acesso aberto para revelar a quantidade de carbono incorporado em materiais de construção.

Extraindo dados de DAPs verificadas de terceiros, a ferramenta EC3 compara a intensidade de carbono dos materiais disponíveis, permitindo que até profissionais generalistas façam escolhas rápidas e inteligentes nas aquisições quando se trata de carbono.

“Assim que os profissionais do setor recebem esses dados na palma da mão, isso dá início a um processo de transformação”, afirma Floyd. “É por isso que a EC3 é um divisor de águas. Ela fez um ótimo trabalho centralizando as informações disponíveis, dando impulso à inovação dos materiais com baixa emissão de carbono e à avaliação do ciclo de vida por parte dos fabricantes, pois eles querem que seus produtos sejam mostrados no banco de dados.” Por exemplo: ao construir o novo campus de 2 km2 da Microsoft em Redmond, WA, nos EUA, a Skanska conseguiu diminuir a quantidade de carbono incorporado em 30% sem aumentar os custos.

Ferramenta ORIS para construção de estradas sustentáveis

No mundo todo, 1,1 milhão de quilômetros de novas estradas é construído todo ano. Como cada estrada é única, pode ser difícil definir soluções sustentáveis adaptadas aos recursos locais. É aí que entra a ORIS, ferramenta digital de projeto e aquisição de materiais para pavimentos da LafargeHolcim.

Com o auxílio da inteligência artificial, a ferramenta ORIS analisa projetos de estradas de uma perspectiva holística, da construção à manutenção. Examinando fatores como recursos locais, padrões de tráfego e condições climáticas, a ORIS oferece soluções de projetos em que os usuários podem avaliar a pegada de carbono, o consumo de recursos locais, a vida útil e os custos. A LafargeHolcim afirma que a ORIS pode ajudar a diminuir as pegadas de carbono em até 50%, triplicar a vida útil das estradas e reduzir os custos de projetos de 15% a 30%.

5. Construção circular

A economia circular na construção aborda o projeto e a construção com o intuito de reduzir, reutilizar e reciclar o máximo possível de recursos. Embora o projeto seja fundamental no modelo, as construtoras podem evitar o descarte de materiais de construção e demolição praticando a redução na fonte, recuperando, reciclando e reutilizando materiais existentes, além de adquirirem materiais e produtos usados e reciclados.

“A circularidade está relacionada com o papel da empreiteira, porque tem a ver com aquisições e como gerenciamos qualquer coisa que estejamos demolindo ou desconstruindo no local, para onde direcionamos esses fluxos de materiais”, diz Floyd. “Também tem a ver com documentar o que entra no resultado final, tornando mais fácil e menos oneroso recuperar esses materiais ao final da vida útil de um ativo – aumentando efetivamente o valor futuro dos materiais incorporados.”

6. BIM e construção sustentável

Embora o BIM (Building Information Modeling, modelagem de informações da construção) esteja associado primordialmente ao projeto e à pré-construção, ele beneficia todas as fases do ciclo de vida do projeto. Os processos BIM proporcionam tanta eficiência que a utilização do BIM quase sempre diminui o impacto ambiental de um projeto de construção.

Projetos BIM 4D e 5D sofisticados integram a programação e a estimativa de custos/materiais, assegurando uma gestão mais eficiente de pedidos de alteração, por exemplo (o foco do BIM 6D, que oferece suporte à gestão de instalações, é a sustentabilidade por meio da análise e modelagem de energia). As avaliações do BIM e do ciclo de vida também podem ser integradas para automatizar as avaliações dos impactos ambientais dos elementos de construção.

Considere a China Construction Eighth Engineering Division Corp. Ltd. (CCEED), que construiu o Centro Financeiro da Chow Tai Fook em Tianjin, na China – um complexo com um super-arranha-céu de 530 metros. Para atender à certificação LEED Gold no caso do interior luxuoso de um hotel, a CCEED integrou 2.000 tipos de materiais em uma estrutura sustentável. Com o BIM, a equipe foi capaz de usar a construção pré-fabricada para produzir componentes com precisão de acordo com os desenhos, evitando o desperdício de materiais e eliminando a necessidade de cortar materiais no local.

“Quando alguém realmente se dedica a adotar o BIM, o projeto corre de maneira mais tranquila e, então, a pessoa comete menos erros”, afirma Floyd. “Ela consegue gerar menos resíduos e diminuir o impacto do carbono. Além disso, ela atende melhor ao orçamento, e o canteiro de obras fica mais seguro. Há todas essas vantagens.”

Como atender à necessidade de construções sustentáveis – no presente e no futuro

Estas verdades são indiscutíveis: a terra tem recursos finitos, uma população em crescimento e uma necessidade crítica de construções sustentáveis. Essa necessidade é tão imperiosa que as Nações Unidas estão liderando a missão de mudança com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (UNSDG). Trata-se de uma chamada à ação de todos os países para chegar a um futuro mais sustentável por meio de estratégias que promovam o crescimento econômico e atendam a uma série de necessidades sociais, como educação, saúde, proteção social e oportunidades de emprego, solucionando também a questão das alterações climáticas e da proteção ao meio ambiente.

Em última análise, a adoção de técnicas de construção sustentável prepara as construtoras – e seus clientes – para o futuro. “Estamos preparando o cliente para futuras exigências, eliminando o risco de penalidades mais adiante”, afirma Kibert. “Então, o que vai acontecer é que, quando os impactos das alterações climáticas vierem em sua totalidade, as condições do planeta vão se deteriorar de maneira grave. Furacões e outras tempestades se tornarão mais frequentes e intensos, causando enorme destruição. A distribuição de alimentos será afetada, e a maioria das espécies da vida marinha vai desaparecer. É provável que, neste momento, governos em todo o mundo instituam políticas draconianas e apliquem enormes punições aos que contribuírem para as alterações climáticas. Por outro lado, as empresas que tiverem aprendido a operar com baixo impacto e a fabricar produtos e edifícios de baixo impacto terão sucesso neste futuro.”

A curva de aprendizagem ficará mais fácil, e processos secundários se tornarão melhores práticas à medida que mais partes interessadas responderem à necessidade de construções sustentáveis. “Comunidades do mundo todo estão começando a entender isso, portanto as empresas que estão se comportando de forma responsável têm a vantagem de fazer mais negócios”, diz Kibert. “Os jovens que saem da faculdade – as pessoas que queremos contratar para serem líderes e gerentes – desejam fazer parte de uma empresa da qual possam sentir orgulho por estarem fazendo as coisas do jeito certo, com sustentabilidade e proteção do meio ambiente como alguns dos valores fundamentais.”

POR SARAH JONES


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